LER e DORT – Parte 2

1. Conceitos essenciais:

  • Postura: É a otimização do alinhamento do corpo para que o sistema neuromuscular trabalhe com o mínimo gasto de energia possível.

  • Sarcômero: É a unidade básica de contração do músculo (formado por actina e miosina). Quando a postura é ruim, o sarcômero trabalha “encurtado”, perdendo força e flexibilidade.

  • Junção Miotendinosa: É a área exata onde o músculo se liga ao tendão. É o local mais crítico, onde ocorre o aumento da concentração de força e onde as microlesões começam.

  • Trabalho Estático (Isometria): Ocorre quando o músculo fica contraído em uma mesma posição por muito tempo. Isso “esmaga” os vasos, diminui o fluxo de sangue, reduz o oxigênio e gera acúmulo de catabólitos, resultando em inflamação.

  • Pontos Gatilho (Trigger Points): Nódulos de tensão e espasmo muscular profundo que geram dor irradiada para outras partes do corpo.

2. As 3 Fases da Doença Ocupacional

A DORT evolui nestes três estágios clínicos:

  • Grau I: Dor localizada, sensação de peso e desconforto. Melhora com o repouso. O prognóstico é bom e não há queda de produtividade.

  • Grau II: Dor persistente, com calor e formigamento. Não melhora apenas com repouso. Já permite queda na produtividade e apresenta pontos gatilho.

  • Grau III: Dor persistente de dia e de noite. Ocorre espasmo muscular de proteção, alterações sensoriais severas e limitação até para atividades domésticas básicas.

3. Principais Doenças e Afecções Ocupacionais

Aqui está o mapa prático de como cada doença se apresenta no corpo do trabalhador:

A. Região Cervical (Pescoço)

A alteração da curvatura (hiperlordose ao olhar para cima ou retificação ao olhar para baixo) gera a Síndrome Dolorosa Miofascial. Sintomas por músculo:

  • ECOM (Esternocleidomastóideo): Dor irradiada para o osso esterno, nuca (occipital) e ouvido (pavilhão auricular).

  • Trapézio: Dor na lateral do pescoço, orelha e região temporal da cabeça. Causado por levantar peso ou manter os braços suspensos.

  • Elevador da Escápula: Dor entre as escápulas e na lateral do pescoço.

  • Escalenos: A dor desce pelo peito e braço, podendo simular um infarto do miocárdio.

B. Membros Superiores (Ombro e Braço)

  • Síndrome do Desfiladeiro Torácico: Os nervos/vasos são esmagados entre os músculos escalenos. Gera dor difusa, formigamento, inchaço e descoloração no braço inteiro (Fenômeno de Raynaud).

  • Síndrome do Impacto do Ombro: Tendinite do manguito rotador. A dor piora ao abrir os braços (abdução) abaixo de 90º. Dificulta lavar e pentear o cabelo.

  • Bursite Subacromial: Inflamação da bursa. A dor é forte ao erguer o braço acima de 90º.

  • Tendinite Bicipital: Dor na parte da frente e lateral do braço, piora ao esticar ou rodar o braço para fora.

C. Cotovelo

  • Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista): Lesão nos tendões extensores (especialmente o extensor radial curto do carpo). A dor piora ao esticar o punho e rodar o antebraço para cima (supinação).

  • Epicondilite Medial (Cotovelo de Golfista): Lesão nos tendões flexores e pronadores. A dor fica na parte de dentro do cotovelo. Piora ao dobrar o punho e rodar o antebraço para baixo.

D. Punho e Mão

  • Síndrome do Túnel do Carpo: Compressão do nervo mediano. Gera queimação que piora à noite e formigamento do polegar até a metade do dedo anelar.

  • Síndrome do Canal de Guyon: Compressão do nervo ulnar e artéria ulnar (região do osso pisiforme). Causada por preensão forte junto com vibração mecânica.

E. Coluna (Dorsal e Lombar)

  • Dorsalgias: Dores no meio das costas (região torácica). Frequentemente ligadas a pontos gatilho nos músculos rombóides e contraturas.

  • Dor Lombar (Lombalgia): Afeta 65% da população. 85% dos casos estruturais envolvem deterioração dos discos intervertebrais devido a movimentos de flexão combinados com rotação. É essencial observar o posicionamento da pelve e encurtamento das pernas.