A avaliação cardiorrespiratória tem como objetivo analisar o funcionamento do coração, dos pulmões e da circulação sanguínea. Ela permite verificar como o organismo responde ao esforço físico e identificar possíveis limitações respiratórias ou cardiovasculares.
Esse tipo de avaliação é muito importante em pacientes com doenças cardíacas, pulmonares, pós-operatórios, idosos e também em pessoas que irão iniciar programas de exercícios físicos ou reabilitação.
Anamnese Cardiorrespiratória
Antes dos testes físicos, o fisioterapeuta investiga informações importantes sobre o paciente.
São feitas perguntas sobre:
- Falta de ar (dispneia)
- Tosse
- Presença de secreções
- Dor no peito
- Cansaço excessivo
- Tabagismo
- Doenças cardíacas ou pulmonares
- Uso de medicamentos
- Limitações nas atividades diárias
Essas informações ajudam a direcionar o restante da avaliação.
Inspeção Respiratória
A inspeção consiste na observação do padrão respiratório do paciente.
O fisioterapeuta avalia:
- Frequência respiratória
- Ritmo respiratório
- Profundidade da respiração
- Simetria dos movimentos do tórax
- Uso da musculatura acessória
O uso excessivo de músculos do pescoço e dos ombros para respirar pode indicar dificuldade respiratória.
Ausculta Pulmonar
A ausculta é realizada com o estetoscópio para ouvir os sons produzidos pela passagem do ar nos pulmões.
Som normal:
- Murmúrio vesicular
Alterações frequentes:
Sibilos
- Sons semelhantes a chiados
- Comuns em asma e bronquite
Estertores
- Sons parecidos com bolhas ou crepitações
- Podem indicar secreções ou líquido nos pulmões
Roncos
- Sons graves causados por secreções nas vias aéreas
A ausculta ajuda a identificar alterações respiratórias importantes.
Ausculta Cardíaca
Também realizada com o estetoscópio.
Permite ouvir os batimentos cardíacos e identificar alterações no ritmo ou possíveis ruídos anormais.
Embora diagnósticos cardíacos sejam responsabilidade médica, o fisioterapeuta pode reconhecer alterações que merecem investigação.
Expansibilidade Torácica
A expansibilidade torácica avalia o quanto o tórax se expande durante a respiração.
Pode ser medida utilizando uma fita métrica.
O fisioterapeuta compara a circunferência torácica durante:
- Inspiração máxima
- Expiração máxima
Valores normais geralmente variam entre 3 e 7 centímetros de diferença.
Reduções podem indicar restrições pulmonares ou alterações musculoesqueléticas.
Saturação de Oxigênio (SpO₂)
A saturação é medida através do oxímetro de pulso.
Avalia a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue.
Valores normais:
- 95% a 100%
Valores reduzidos podem indicar comprometimento respiratório ou cardiovascular.
Dispneia
A dispneia corresponde à sensação de falta de ar.
Por ser uma percepção subjetiva, costuma ser medida através de escalas.
As mais utilizadas são:
Escala de Borg
- Vai de 0 a 10
- Avalia a intensidade do esforço percebido
Escala MRC
- Classifica o grau de limitação causado pela falta de ar
Essas escalas ajudam a monitorar a evolução do paciente durante o tratamento.
Capacidade Funcional
A capacidade funcional avalia como o sistema cardiorrespiratório responde às atividades do dia a dia.
O fisioterapeuta observa:
- Caminhada
- Subida de escadas
- Mudanças de posição
- Tolerância ao exercício
O objetivo é verificar o impacto da condição clínica na rotina do paciente.
Testes Funcionais
Dependendo da situação, podem ser utilizados testes específicos.
Exemplos:
Teste de Caminhada de 6 Minutos
- Mede a distância percorrida em seis minutos
- Avalia resistência e tolerância ao esforço
Teste Sentar e Levantar
- Avalia condicionamento físico e capacidade funcional
Durante esses testes podem ser monitorados:
- Frequência cardíaca
- Saturação
- Pressão arterial
- Percepção de esforço
Perfusão Periférica
A perfusão refere-se à capacidade do sangue chegar adequadamente aos tecidos.
Um teste simples é o enchimento capilar.
O fisioterapeuta pressiona o leito ungueal e observa o retorno da coloração normal.
Resultado esperado:
- Menos de 2 segundos
Tempos maiores podem indicar alterações circulatórias.
Raciocínio Clínico na Avaliação Cardiorrespiratória
O fisioterapeuta não deve analisar cada dado isoladamente.
Por exemplo:
- Saturação baixa + dispneia + aumento da frequência respiratória podem indicar comprometimento pulmonar.
- Frequência cardíaca elevada + fadiga precoce durante caminhada podem sugerir baixa tolerância ao esforço.
O objetivo é relacionar os sinais encontrados com a funcionalidade do paciente.
Importância da Avaliação Cardiorrespiratória
A avaliação cardiorrespiratória permite identificar limitações relacionadas ao coração e aos pulmões, monitorar a segurança do tratamento e avaliar a capacidade do paciente para realizar esforços físicos. Ela é fundamental para orientar a reabilitação, prevenir complicações e acompanhar a evolução clínica de forma segura e eficaz.