A avaliação neurológica tem como objetivo analisar o funcionamento do sistema nervoso e sua influência sobre os movimentos, a sensibilidade, o equilíbrio e a consciência do paciente.
Ela é muito utilizada em casos de AVC, traumatismos, lesões medulares, doenças neurodegenerativas, neuropatias e diversas condições que afetam o sistema nervoso central ou periférico.
O principal objetivo é identificar se os nervos, a medula espinhal e o cérebro estão transmitindo e recebendo informações adequadamente.
Nível de Consciência
Uma das primeiras observações é verificar o estado de consciência do paciente.
O fisioterapeuta avalia:
- Se o paciente está acordado
- Se responde a comandos
- Se consegue se orientar no tempo e espaço
- Se compreende perguntas simples
Em situações mais graves, pode ser utilizada a Escala de Coma de Glasgow.
A escala avalia:
- Abertura ocular
- Resposta verbal
- Resposta motora
Classificação:
- 13 a 15 pontos: comprometimento leve
- 9 a 12 pontos: comprometimento moderado
- 8 pontos ou menos: comprometimento grave
Avaliação da Sensibilidade
A sensibilidade permite que o corpo reconheça estímulos do ambiente.
O fisioterapeuta pode testar:
- Sensibilidade ao toque
- Sensibilidade à dor
- Sensibilidade à temperatura
- Sensibilidade vibratória
- Sensibilidade de posição (propriocepção)
Alterações podem indicar lesões nervosas ou comprometimentos neurológicos.
Reflexos
Os reflexos são respostas automáticas do organismo diante de determinados estímulos.
São avaliados com o martelo neurológico.
Alguns reflexos frequentemente testados:
- Patelar (joelho)
- Aquileu (tornozelo)
- Bicipital
- Tricipital
A classificação geralmente varia de:
- 0: ausente
- 1+: diminuído
- 2+: normal
- 3+: aumentado
- 4+: hiperativo
Reflexos alterados podem indicar lesões neurológicas centrais ou periféricas.
Tônus Muscular
O tônus muscular é a tensão natural que os músculos apresentam mesmo em repouso.
A avaliação é realizada movimentando passivamente os membros do paciente.
As alterações mais comuns são:
Hipotonia
- Diminuição do tônus
- Músculos mais flácidos
Hipertonia
- Aumento do tônus
- Maior resistência ao movimento
Em pacientes neurológicos é comum utilizar a Escala de Ashworth, que mede o grau de espasticidade.
Força Muscular
Embora também seja utilizada na ortopedia, a avaliação da força é extremamente importante na neurologia.
O objetivo é identificar fraquezas decorrentes de alterações nervosas.
A avaliação segue a Escala de Oxford:
- 0: ausência de contração
- 1: contração sem movimento
- 2: movimento sem vencer a gravidade
- 3: movimento contra a gravidade
- 4: movimento contra resistência moderada
- 5: força normal
Coordenação Motora
A coordenação avalia a capacidade de realizar movimentos precisos e organizados.
Alguns testes comuns:
- Dedo-nariz
- Calcanhar-joelho
- Movimentos alternados rápidos
Alterações podem indicar comprometimento do cerebelo ou de outras estruturas neurológicas.
Equilíbrio
O equilíbrio é fundamental para a postura e a locomoção.
Durante a avaliação podem ser observados:
- Equilíbrio sentado
- Equilíbrio em pé
- Equilíbrio durante a marcha
Um teste bastante utilizado é o Teste de Romberg, que avalia a capacidade de manter-se em pé com os olhos fechados.
Pares Cranianos
Dependendo da disciplina e do nível de aprofundamento, também pode ser realizada uma avaliação básica dos pares cranianos.
Eles são responsáveis por funções como:
- Visão
- Audição
- Olfato
- Deglutição
- Movimentos faciais
- Movimentos dos olhos
Alterações podem indicar lesões em regiões específicas do sistema nervoso.
Avaliação da Marcha Neurológica
Além da observação da marcha comum, o fisioterapeuta analisa padrões característicos de doenças neurológicas.
Exemplos:
- Marcha hemiparética (AVC)
- Marcha atáxica (cerebelo)
- Marcha parkinsoniana
- Marcha escarvante (neuropatias)
Cada padrão fornece pistas importantes sobre a localização da lesão.
Importância da Avaliação Neurológica
A avaliação neurológica permite identificar alterações no controle motor, na sensibilidade, nos reflexos, no equilíbrio e na consciência. Essas informações ajudam o fisioterapeuta a compreender como o sistema nervoso está funcionando e a planejar intervenções adequadas para recuperar ou melhorar a funcionalidade do paciente.