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Organização do Trabalho.
A organização do trabalho se refere essencialmente à maneira como o trabalho é distribuído no tempo. O trabalhador não está isolado, ele se encontra inserido num sistema que interliga a pessoa aos meios de trabalho e ao próprio ambiente em si. É essa organização que vai definir quem faz o que, de que forma as tarefas são executadas, em que momento elas ocorrem, a quantidade de trabalho exigida e sob quais condições físicas, gerenciais e organizacionais tudo isso acontece. Entender isso passa por olhar tanto para os aspectos macro da empresa quanto para os detalhes micro da rotina do funcionário.
Nos aspectos mais abrangentes, a organização é moldada por uma série de fatores. Entram aí as políticas gerenciais de recursos humanos , as metas estabelecidas pela organização e até o momento que a empresa vive, como uma fase de reestruturação de negócios ou a tentativa de absorver os impactos das flutuações do mercado. O organograma e as linhas de subordinação , a política de cargos, os salários e os benefícios , bem como o status que cada cargo ou função confere, são peças-chave. Também pesam na balança a forma como se exerce a liderança e a autoridade , como a comunicação flui internamente , os métodos de avaliação de desempenho , as regras para promoções e os processos de recrutamento e seleção. Por fim, não podemos esquecer de como a mão-de-obra é composta em termos de idade, gênero e qualificação , do tipo de contratação que se pratica e de como se dão os relacionamentos humanos dentro de cada área de trabalho.
Já olhando para os aspectos mais específicos e operacionais, encontramos os conceitos de ciclo e ritmo. O ciclo é a sequência de passos necessária para executar uma atividade, e ele varia bastante em duração e diversidade. Fica considerado como de alta repetitividade quando o ciclo dura menos de 30 segundos ou quando mais de 50% do tempo dele é gasto com o mesmo tipo de movimento. Se durar mais do que 30 segundos e menos da metade do tempo for ocupado pelo mesmo movimento, já é considerado de baixa repetitividade. O ritmo, por sua vez, é a velocidade com que se faz as ações. O problema é que ritmos muito lentos causam monotonia , enquanto os muito rápidos tendem a gerar sobrecarga. O desafio da ergonomia é justamente encontrar esse ritmo adequado, onde tanto a saúde do trabalhador quanto a produtividade da empresa possam ser otimizadas.
Outro ponto crucial nesses aspectos específicos é a carga de trabalho. A carga é definida como a quantidade de exigências impostas à pessoa ao realizar o seu trabalho, funcionando sempre como um conjunto unificado de demandas. Ela se divide em várias facetas: a carga sensorial, que diz respeito aos estímulos visuais, auditivos, táteis e gustativos ; a carga cognitiva, que puxa funções mentais como a memória, a atenção e o pensamento ; a carga afetiva ou de contato humano, muito comum em áreas de saúde ou no atendimento ao público ; a carga visual pura ; e a carga musculoesquelética. E tudo isso é sentido ao longo da duração do trabalho, seja avaliando a jornada como um todo ou partes específicas dela. É aí que a autonomia do indivíduo, ou seja, o controle que ele tem sobre o que faz, sobre os componentes que usa ou sobre como organiza o seu ambiente, se torna vital.
Para não deixar o trabalhador adoecer sob o peso dessa organização, existem soluções práticas que são adotadas. Uma das principais é o enriquecimento do trabalho, que tenta reduzir a fragmentação excessiva das atividades, aquela coisa de fazer sempre os mesmos movimentos sem variação. A ideia é injetar mais diversidade física e psíquica na rotina, o que afasta a monotonia e evita a sobrecarga musculoesquelética. Isso pode ser feito adicionando passos mais complexos às atividades , fazendo rodízios entre as pessoas ou adotando as chamadas células de produção, que valorizam muito o trabalho em equipe.
As pausas também são fundamentais nessa equação da saúde. O corpo e a mente precisam alternar entre o esforço e o repouso para conseguir recuperar a energia e manter a capacidade funcional. A regra é clara: quanto maior a intensidade e a duração do esforço, maior deve ser o número de pausas. Elas podem se apresentar de diversas formas, desde as micropausas que as pessoas fazem quase sem perceber durante a produção , passando pelas pausas formais de almoço ou café , até as pausas organizadas de forma ergonômica, como, por exemplo, parar 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados. Mesmo o momento em que se faz um rodízio de atividades já constitui uma forma de pausa, pois reduz o esforço que vinha sendo feito até ali.
Por fim, um fator que não pode ser ignorado na organização do trabalho é a forma como o ritmo circadiano humano lida com turnos não convencionais. Nossa capacidade de agir e de trabalhar varia naturalmente de acordo com o nosso relógio biológico. Para quem atua à noite, ocorre uma tentativa de troca desse ritmo natural, o que até inverte as funções orgânicas depois de semanas, mas nunca de uma forma cem por cento completa. As consequências desse trabalho noturno costumam ser pesadas: fadiga crônica, já que a recuperação do corpo se torna insuficiente , muita sensação de cansaço , irritabilidade , e até uma maior tendência a quadros depressivos. O trabalhador perde a motivação e sofre com perturbações no sono , no apetite e na digestão. Para amenizar isso tudo, a recomendação é encurtar os períodos de trabalho noturno para reduzir essa fadiga e devolver tempo para a vida familiar e social do indivíduo. Além disso, indica-se garantir uma iluminação adequada para não ofuscar a visão , evitar atividades puramente monótonas que induzam à sonolência e aumentem as chances de acidente , e incentivar que a pessoa se movimente mais. A jornada em si não deveria passar de 6 horas se o trabalho for pesado , ou 8 horas se for mais leve , garantindo também que o turno da manhã só inicie após um bom tempo de descanso e que o trabalhador tenha mais finais de semana inteiros de folga no seu cronograma. Esse tipo de horário é frequentemente contraindicado para pessoas muito jovens ou acima de 50 anos , e é totalmente desaconselhado para quem já sofre de problemas como insônia, instabilidade emocional ou distúrbios psicossomáticos.