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Qualidade de Vida no Trabalho.
O tema da Qualidade de Vida no Trabalho, que ganha um destaque cada vez maior na atualidade, volta-se principalmente para os aspectos internos da organização, envolvendo desde o desenho estrutural dos cargos até as condições físicas do ambiente corporativo. O objetivo central dessa disciplina é estabelecer um equilíbrio entre o homem produtivo, o ambiente organizacional e o ambiente externo da vida pessoal, pois é exatamente essa visão integradora que define o que é uma boa qualidade de vida. Para alcançar esse patamar de excelência, as organizações podem atuar fundamentadas em duas grandes linhas de ação: a primeira consiste em aprimorar a si próprias, trabalhando para oferecer ambientes físicos e psicossociais muito mais favoráveis aos colaboradores; a segunda foca no aspecto humano, buscando auxiliar os seus empregados num processo contínuo de autodesenvolvimento, o que estimula o amadurecimento pessoal e profissional e ajuda a desenvolver as habilidades mentais e comportamentais necessárias para que eles consigam enfrentar níveis altos e frequentes de estresse rotineiro.
Quando entramos no detalhe desse aprimoramento estrutural das organizações, a adequação do ambiente físico surge como o primeiro passo. Isso inclui a aplicação direta da ergonomia para prevenir o surgimento de lesões por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares, conhecidos pelas siglas LER e DORT, além de um respeito rigoroso à higiene ocupacional, que visa mitigar os riscos químicos, biológicos e físicos que possam existir de forma latente no local de trabalho. A construção e a manutenção sistemática de ambientes físicos adequados não apenas previnem uma série de doenças e desconfortos ocupacionais, mas também geram, como consequência direta, uma redução bastante significativa dos custos da empresa com saúde suplementar e eventuais passivos na justiça. Somado a toda essa parte prática, quando a empresa comunica ativamente esses investimentos em melhorias aos seus empregados, cria-se um forte e importante fator de motivação para a equipe.
Já na segunda linha de ação, que é totalmente voltada para o trabalhador, o grande foco recai sobre o estilo de vida do indivíduo. O objetivo maior aqui é criar uma conscientização profunda, por meio de processos puramente educativos, demonstrando a necessidade de o funcionário gerenciar seus próprios hábitos diários para se tornar uma pessoa mais saudável, feliz e, consequentemente, mais produtiva no trabalho, o que atua na base da prevenção de inúmeras doenças cardiovasculares, musculoesqueléticas e quadros psicossomáticos. Um pilar essencial dessa mudança estrutural é a alimentação. Sabemos que as distorções alimentares, que se caracterizam tanto pelo aporte excessivo quanto pelo consumo insuficiente de nutrientes e energia, criam desequilíbrios severos que podem levar a distúrbios funcionais graves e doenças crônicas. Além da nutrição física em si, o estado psíquico da pessoa durante o momento da alimentação também é muito avaliado, pois a forma como comemos pode estar atrelada a distúrbios de comportamento, quadros de ansiedade, tendências à obesidade e problemas relacionados ao ritual de relacionamento social que envolve a pausa para refeições.
O incentivo prático ao movimento do corpo é outro aspecto vital promovido por essas organizações. A prática constante de atividades físicas aeróbias aumenta consideravelmente a resistência cardiovascular para os esforços diários, diminui a sensação de fadiga constante e eleva a disposição geral para realizar as atividades de rotina. Fisiologicamente, essa prática gera um aumento perceptível do bem-estar físico e psíquico devido à liberação de endorfinas, além de atuar reduzindo a atividade do sistema nervoso simpático, que é aquele diretamente relacionado ao aumento do estresse, ao mesmo tempo em que eleva a atividade do sistema nervoso parassimpático, que é o grande responsável pela sensação de relaxamento no corpo. Em paralelo aos exercícios aeróbicos, a aplicação regular de exercícios de alongamento muscular atua de forma muito preventiva, ajudando a combater desajustes posturais nocivos que poderiam causar alterações negativas na percepção corporal e prejudicar o sistema musculoesquelético. Na prática, esses alongamentos reduzem consideravelmente as tensões acumuladas nos músculos, melhoram a coordenação motora geral — o que acaba poupando um gasto excessivo de energia —, aumentam a amplitude natural dos movimentos, previnem ativamente o surgimento de lesões nas articulações e ainda permitem que o trabalhador desenvolva uma melhor consciência corporal do seu próprio espaço e postura.
Para fechar a tríade da qualidade de vida, a gestão cuidadosa do estresse e a administração do tempo formam a base indispensável para a manutenção da estabilidade emocional e da saúde a longo prazo. O relaxamento não é um luxo, mas algo fundamental para combater o estresse contínuo, que costuma causar sérios desajustes no comportamento e ineficácia crônica no trabalho, elevando de forma preocupante os riscos do surgimento de infarto agudo do miocárdio, episódios de insônia, depressão, picos de ansiedade e até o abuso prejudicial de álcool e drogas ilícitas. Como o tempo corporativo costuma ser bastante escasso e valioso, aprender e aplicar técnicas de relaxamento de duração mais rápida se torna um requisito de sobrevivência quase que diário, trazendo efeitos diretos e positivos na capacidade de concentração da mente, na clareza de pensamento e em um aumento genuíno da capacidade produtiva, permitindo que se entregue o melhor desempenho possível com o menor desgaste e gasto de energia corporal. Uma boa e eficiente administração do tempo se mostra o pré-requisito primário para alcançar e manter essa vida equilibrada, exigindo que o indivíduo saiba distinguir com clareza o que é realmente importante do que é apenas urgente, aprendendo a conduzir suas ações diárias puramente em função dos resultados que se espera atingir, e sabendo administrar cada novo dia não de forma isolada, mas como parte integrante de um projeto muito maior de vida, sempre com foco em objetivos concretos para o futuro. E para abraçar todos esses aspectos de maneira institucional, as organizações estruturam programas voltados especificamente para a criação e manutenção de hábitos positivos com foco principal em saúde e segurança. Esses projetos visam uma transformação cultural de mentalidade e comportamento dentro da empresa, oferecendo também programas ainda mais especiais e direcionados para acolher trabalhadores que lidam com doenças de base ou problemas de adição, atuando ativamente no cuidado e suporte aos casos de diabetes, de quadros crônicos de hipertensão arterial, do abuso de substâncias psicotrópicas e até do alcoolismo, garantindo que ninguém fique desamparado na busca por um viver com qualidade.